A Polícia Federal apresentou ao Supremo Tribunal Federal uma mensagem do empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, ao senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado. A comunicação é vista pela corporação como evidência de proximidade entre ambos em questões sensíveis relacionadas ao Banco Master. O alvo foi atingido na quinta-feira (18) pela 9ª fase da operação Compliance Zero.

A mensagem foi enviada em 29 de março de 2025. “Você mais do que ninguém sabe da minha história e faz parte disso!!”, escreveu Augusto Lima ao senador. O texto consta na representação apresentada ao STF que embasou a ação contra Wagner.

Segundo a investigação, a conversa ocorreu no contexto das negociações sobre a venda do Banco Master para o BRB (Banco Regional de Brasília), num momento em que Lima explicava a Jaques os detalhes da operação. A PF destaca que a frase indica não ser Wagner um “mero destinatário passivo de informações, mas interlocutor relevante em temas sensíveis ao grupo econômico investigado”.

As supostas vantagens indevidas

A corporação apura se o senador recebeu um apartamento em Salvador (BA), avaliado em R$ 2,4 milhões, como propina de Augusto Lima. Não se trata de um único episódio: aeronaves teriam sido disponibilizadas a Wagner em mais de uma ocasião, o que foi considerado pelos investigadores como padrão de comportamento e não um fato isolado.

Em um dos episódios descritos, Wagner solicitou a Augusto Lima o contato de um piloto para uma viagem ao Rio de Janeiro. Em abril de 2024, após uma ligação telefônica, o empresário encaminhou ao senador o número de um profissional identificado como “Breno Copiloto Banco” e, em seguida, compartilhou com o piloto o telefone do político.

Outro ponto da investigação envolve ingressos para apresentações de uma cantora internacional em Los Angeles, nos Estados Unidos. Segundo a PF, em junho de 2023, Augusto Lima teria orientado uma secretária a providenciar bilhetes para familiares de Jaques Wagner. A compra teria sido realizada pela empresa REAG Investimentos S.A., com custo total de R$ 63.339.

Operação e medidas cautelares

A 9ª fase da Compliance Zero resultou na expedição de 18 mandados de busca e apreensão pelo STF nos estados da Bahia, São Paulo e no Distrito Federal. Além das buscas, foram cumpridas medidas cautelares, incluindo proibição de contato entre investigados e suspensão de passaporte.

A primeira fase da operação foi deflagrada em novembro de 2025, quando a PF prendeu Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master, e Augusto Lima, entre outros seis alvos. Naquele mesmo dia, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição financeira.

Posição da defesa de Lima

O advogado de Augusto Lima afirmou que as diligências são “desnecessárias” e negou qualquer prática ilícita. Em comunicado, a defesa ressaltou que as medidas “contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos”.

Segundo o texto enviado pela assessoria jurídica, “Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública”. A CNN também procurou a defesa do senador Jaques Wagner, deixando espaço aberto para resposta.

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