A Polícia Federal cumpriu 18 mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira (18) contra o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), em nova fase da operação Compliance Zero. Os mandados foram expedidos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, e atingem endereços na Bahia, São Paulo e Distrito Federal, além de um hotel em Brasília onde Wagner reside.
A operação investiga suspeitas de que Wagner tenha recebido valores ligados ao Banco Master, instituição do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O empresário Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, também é alvo da ação.
Aliados temem enfraquecimento de denúncias contra Bolsonaro
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que a operação contra Wagner fornecerá argumentos de defesa para Flávio Bolsonaro (PL). O filho do ex-presidente foi flagrado em conversas com Vorcaro buscando recursos para um filme sobre Jair Bolsonaro.
Segundo relatos, esses aliados temem que o escândalo envolvendo Wagner diluísse o efeito das revelações sobre os vínculos de Flávio com o Banco Master. Eles aguardam uma orientação de Lula sobre como reagir à operação.
Uma ala do governo acredita que Wagner entregará o cargo de líder da bancada governista como gesto para preservar a gestão petista. Segundo pessoas próximas, o senador ainda não conversou com o presidente sobre o assunto.
Lula retorna da França e deve pedir explicações
Lula chegou ao Brasil nesta quinta-feira, após participar da reunião do G7 na França. A expectativa no Planalto é que o presidente reitere seu discurso a favor das operações iniciadas em seu próprio governo e peça explicações a Wagner.
O presidente havia questionado Wagner em reuniões privadas sobre sua relação com Augusto Lima. Em resposta, o senador afirmou não haver envolvimento no caso, argumentando que as relações comerciais sob suspeita ocorreram durante a gestão Bolsonaro.
Ministros de Lula se disseram surpreendidos com a revelação de vínculos entre o núcleo familiar de Wagner e Lima.
PT contra-ataca com crítica direcionada a Bolsonaro
Éden Valadares, secretário de comunicação do PT e integrante da coordenação da campanha, publicou texto nas redes sociais em apoio a Wagner, antecipando-se às críticas bolsonaristas.
“Quem autorizou o Banco Master foi o governo Bolsonaro. Quem é íntimo de Daniel Vorcaro, visitou mesmo após a prisão e tem ele como um ‘irmão’ é Flávio Bolsonaro. Quem recebeu milhões de reais deste esquema foi a família Bolsonaro”, afirmou Valadares, segundo publicado pelo veículo.
Valadares completou: “A tentativa de equiparar essas relações e falsamente criar a ideia de que o escândalo BolsoMaster atinge igualmente todos os campos políticos brasileiros é inócua e revela o grau de desespero de Flávio — que foi pego na mentira, perdeu a pouca credibilidade que tinha e vê sua campanha definhar dia a dia”.
Operação não deve afetar disputa eleitoral na Bahia
No âmbito estadual, aliados do governo afirmam que a operação não tem potencial para abalar a disputa ao governo baiano. Isso porque adversários do PT também mantinham relacionamento com o Banco Master.
Auxiliares lembram ainda que Lula teve oportunidade de afastar Wagner da função de líder do governo no Senado após a rejeição do nome de Jorge Messias, chefe da Advocacia-Geral da União, para o Supremo Tribunal Federal. Mas manteve o senador no cargo.