As ações da Braskem (BRKM5) registraram queda de 8,84% nesta quinta-feira (18), fechando a R$ 7,63, em destaque negativo no Ibovespa. O movimento reflete uma notícia que abala os planos da empresa: segundo informações da Bloomberg, a petroquímica e sua acionista controladora, a IG4 Capital, enfrentam dificuldades para obter apoio suficiente de credores para avançar com uma proposta de reestruturação extrajudicial.
As divergências giram em torno de questões cruciais: tratamento desigual entre credores, garantias oferecidas e a ausência de uma opção para converter dívida em ações. Pessoas familiarizadas com as negociações, que pediram anonimato por se tratar de detalhes privados, revelaram que a empresa ainda não conseguiu angariar apoio suficiente para atingir o limite legal necessário para a chamada recuperação extrajudicial, que havia sido planejada para iniciar até julho.
Credores questionam estrutura do acordo
O cerne da resistência está na estrutura proposta pela Braskem. Os credores reclamam que o plano resulta em tratamento desigual entre as diferentes categorias de devedores. Especificamente, os detentores de títulos de curto prazo receberiam condições mais favoráveis — e, portanto, enfrentariam um desconto implícito menor — do que os credores em financiamentos de longo prazo.
Além disso, fontes apontam que alguns credores levantaram preocupações sobre as garantias oferecidas no plano e criticaram a falta de uma alternativa para converter dívida em ações. Os detentores de títulos da dívida também reclamam que os acionistas da Braskem não estão injetando novo capital na empresa, o que seria um sinal de confiança no futuro do negócio.
Acionistas relutam em capitalizar empresa
A questão do capital novo é particularmente delicada. A Petrobras, estatal petrolífera brasileira, detém uma participação minoritária significativa na Braskem. A IG4 Capital, por sua vez, assumiu recentemente o controle acionário da Novonor SA, estrutura que levou ao controle da petroquímica. Tanto a Petrobras quanto a IG4 têm se mostrado relutantes em injetar recursos adicionais na empresa.
Segundo as fontes, a relutância dos acionistas em investir novo capital estaria relacionada ao receio de medidas que possam diluir suas participações. Nem a Braskem nem a IG4 quiseram comentar a questão. A Petrobras não respondeu aos pedidos de manifestação.
Crise ambiental e mercado deprimido
A situação crítica da Braskem é resultado de uma combinação de fatores adversos. A empresa viu seu caixa diminuir drasticamente após um desastre ambiental em uma de suas minas de sal — um evento que impactou significativamente as finanças da companhia. A isso se somaram vários anos difíceis marcados por preços baixos no setor petroquímico, afetando a rentabilidade do negócio.
Face a essas pressões, a Braskem apresentou aos credores um plano de reestruturação que inclui extensão do vencimento da dívida, redução dos pagamentos de juros e mais períodos de carência. Conforme informações divulgadas no início deste mês, o plano não inclui, porém, injeção de capital nem conversão de dívida em ações.
Risco de tutela judicial
A falta de um acordo entre a petroquímica e seus credores aumentaria as chances de um pedido de tutela judicial de emergência contra os credores. A gigante petroquímica brasileira precisa do apoio de um terço de seus credores para iniciar um processo de reestruturação extrajudicial — um patamar que, até o momento, não foi alcançado.